sexta-feira, 30 de julho de 2010

The Golden Apples of the Sun

Quando eu estava na faculdade, gostava de velejar e acompanhava as notícias das regatas ao redor do mundo. Lembro bem da edição de 1979 da Admirals Race, marcada por uma tempestade que vitimou dezenas de velejadores. nesta regata havia um barco irlandês, que trazia uns belos versos pintados na popa, justificando o seu nome, "Golden Apple of the Sun". A legenda foto explicava que eram versos do poeta irlandês William Butler Yeats, mas custei muito, alguns anos, até finalmente descobrir o nome e poder ler o poema completo.

É um poema bonito, que de certa forma exprime a nossa eterna busca pela beleza e pela sabedoria. Como não achei nenhuma tradução em português boa, cometi o pecado de fazer minha própria versão livre, que segue logo após o original.

Apenas para esclarecer, o autor explicou que "Hazel Tree", é a árvore irlandesa da vida.



THE SONG OF WANDERING AENGUS

by: W.B. Yeats

WENT out to the hazel wood,
Because a fire was in my head,
And cut and peeled a hazel wand,
And hooked a berry to a thread;

And when white moths were on the wing,
And moth-like stars were flickering out,
I dropped the berry in a stream
And caught a little silver trout.

When I had laid it on the floor
I went to blow the fire a-flame,
But something rustled on the floor,
And some one called me by my name:
It had become a glimmering girl
With apple blossom in her hair
Who called me by my name and ran
And faded through the brightening air.

Though I am old with wandering
Through hollow lands and hilly lands,
I will find out where she has gone,
And kiss her lips and take her hands;
And walk among long dappled grass,
And pluck till time and times are done
The silver apples of the moon,
The golden apples of the sun.



A Canção do Errante Aengus

W.B. Yeats

Fui até a árvore da vida,
Pois minha mente estava inquieta,
E cortei e limpei um galho de nogueira,
E prendi um fruto a uma linha;

E enquanto mariposas voavam ao redor,
E estrelas, como mariposas brilhavam,
Atirei o fruto em um rio
E pesquei uma pequena truta prateada.

Eu a coloquei no chão
E fui atiçar o fogo,
Mas algo se moveu,
E alguém me chamou pelo meu nome:
Ela havia se transformado em uma garota envolta em suave brilho
E com flores de maçãs nos cabelos
Que me chamou pelo meu nome e correu
Desaparecendo no ar, em um brilho difuso.

Apesar de estar velho de tanto errar
Por terra planas e montanhosas,
Eu vou descobrir aonde ela foi,
E beijar seus lábios, e pegar suas mãos;
E andaremos, pela relva colorida,
Colhendo, até o final dos tempos
Os frutos prateados da lua,
Os frutos dourados do sol.

Furtwängler - Ainda genial 66 anos depois


Outro dia ouvi novamente a gravação feita em 1942 da nona simfonia de Beethoven, com Furtwängler regendo a Filarmônica de Berlin. Realizada enquanto as bombas caíam na Alemanha, essa gravação é simplesmente fantásticas. Claro, as limitações técnicas são evidentes, a gravação é mono, há algum ruído e a dinãmica é limitada. Mas a interpretação é magnífica. O Adágio é simplesmente sublime, e o final é vibrante, forte.

A gravação é uma remasterização feita pelo selo japonês Opus Kura. Um registro insuperável, mesmo após tantos anos. Atestado da genialidade desse maestro, tão incompreendido e atacado no pós-guerra por ter decidido ficar na Alemanha.

O disco é difícil de achar, dei o meu de presente a um grande amigo, e tive que pesquisar muito para encontrar outro, mas valeu a pena. Para quem quiser, o número do catálogo na cdconnection.com é 1003327.

domingo, 25 de julho de 2010

Passagens das Horas

Um poema para o domingo

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero

Fernando Pessoa