
Em agosto de 2008 o escritor americano Nicholas Carr escreveu um artigo muito interessante para a revista Atlantic Magazine sob o título “Is Google making us stupid?”. Não escrevi aqui na época, mas achei o artigo muito interessante, e o remeti por email a diversos amigos. Nele Carr discutia como a nossa forma de ler – e de pensar - está sendo afetada pela internet.
A leitura (e a pesquisa0 online é essencialmente diferente da forma tradicional, na medida em que saltamos de referência em referência, lendo apenas algumas linhas de cada texto, em busca do que achamos ser a idéia central. Este processo evidentemente falho, e esquecemos boa parte do que “lemos” passados poucos minutos.
O teórico Marshall McLuhan (aquele mesmo dos 15 minutos de fama e do “the media is the message” escreveu, lá nos anos 60 que o veículo (media) não é apenas um canal passivo para o transporte da informação, mas na verdade molda a forma como a mesma é absorvida e processada. Em outras palavras, o veículo molda a nossa forma de pensar. E é exatamente para isso que Carr chamava a atenção.
Agora Carr levou a questão um passo adiante e lançou o livro “The shallows: what the internet is doing to our brains”. Já comprei o meu em versão digital na Amazon e baixei para o meu Kindle. Prometo comentar assim que tiver lido.
Coincidentemente, ou não, o NY Times de 22 de agosto traz o seguinte depoimento de Nicholas Negroponte: “Adoro o meu Ipad, mas minha habilidade para ler qualquer narrativa mais longa de certa forma desapareceu, pois sou continuamente tentado a verificar meu email, a buscar alguma palavra ou simplesmente sair clicando.” (Leia aqui o artigo)
Bem falou José Saramago, ao comentar o Twitter, onde as mensagens são limitadas a 140 caracteres: “Mais um passo em direção ao grunhido”.
É o grunhido, a imbecilização, que está tomando conta da nossa sociedade tornando as conversas instigantes e inteligentes cada vez mais raras.